clique aqui para ver o texto em tela cheia 

1. APRESENTAÇÃO                              ouça apenas o som (1ª parte)          

Neste vídeo vamos conversar um pouco sobre o ensino do Esperanto. 

Estou gravando essa conversa em português para que os alunos também possam assistir e aproveitar algumas sugestões. O texto deste vídeo você encontra em www.fluencia.uni.cc    

Como o Esperanto é uma língua relativamente fácil, muita gente se propõe a ensiná-lo.   Boa vontade é fundamental, mas um pouco de conhecimento técnico sobre como ensinar traria melhores resultados.

Em alguns métodos mais modernos, percebi algumas correlações com o que Andreo Cseh já falava em 1930.

Nesse vídeo eu gostaria de mostrar algumas possibilidades sobre como se  pode conduzir uma aula.   Naturalmente esse não é o único meio de ensinar: são sugestões que vocês  podem experimentar ou adaptar, pois cada pessoa tem sua própria maneira de ensinar e de aprender. 

 

clique aqui para ver o texto em tela cheia 

2. FLUÊNCIA

           A maioria dos Esperantistas não consegue falar fluentemente.   Alguns conhecem bem as regras gramaticais, têm um vocabulário razoável, conseguem até escrever uma carta em Esperanto. Mas geralmente não conseguem entender o que é falado em um programa de rádio em Esperanto e não conseguem manter uma conversa fluente em Esperanto.

           Esse é um problema que acontece com estudantes de Esperanto, com estudantes de inglês, de espanhol, ou de qualquer outra língua.   É um falha grave nos cursos, que acaba por desanimar muitos alunos.   

A experiência mais gratificante que existe é poder falar fluentemente; conversar com esperantistas durante um congresso, ou com um visitante estrangeiro do Pasporta Servo, ou mesmo pelos bate-papos de voz na internet. Isso é vivenciar o verdadeiro Esperanto.   

A fluência é o objetivo principal desse vídeo, pois quanto mais pessoas estiverem falando fluentemente o Esperanto, conversando em Esperanto, usando o Esperanto, mais próximos nós estaremos da utilização oficial do Esperanto por parte de todos os governos do mundo. 

O Esperanto não é a língua dos anjos, nem a língua do futuro.  O Esperanto é a minha língua, nossa língua e nós podemos usá-la hoje, aqui e agora. 

clique aqui para ver o texto em tela cheia

3. PRONÚNCIA

Todo curso de Esperanto começa explicando as regras de pronúncia, pois a pronúncia correta é a base do conhecimento, da fala.   A pronúncia do Esperanto é muito fácil e ainda tem a vantagem de ser regular. 

O professor não precisa explicar todas as regras de pronúncia de uma vez, mas de preferência, explicá-las conforme forem aparecendo nas lições do livro.  

Teoricamente, bastaria explicar as regras, e qualquer pessoa poderia pronunciar qualquer palavra ou frase em Esperanto.  

Teoricamente.  Mas na prática não é isso o que acontece, pois além dos erros de pronúncia, existe o  sotaque.  Vou falar sobre o sotaque. 

Imagine se você encontra um francês que fala Esperanto com sotaque forte.    

Mi parrôLÁS esperrânTÕN hodiaÚ en la kongrre.  Fica difícil, né ?

 Mas, e um brasileiro ?  

Mi eŝtaŝ iŝperanĉiŝtú.   Os seus colegas, que estão acostumados com esse sotaque na fala do português não terão problemas, mas estrangeiros não vão entender.  Isso não pode acontecer no Esperanto.  Precisamos ter muita atenção com a pronúncia e evitar o sotaque.  

Vamos ver alguns detalhes.

E - nem fechado, nem aberto -  bela - lerni - jes
O - nem fechado nem aberto - parolas - Eŭropo

 vesperE  , bone  -  leite quente dá dor de dente
lernantO , revido - O carro é bonito

O professor lê parte de uma frase e pede que os alunos repitam.  Os alunos devem repetir todos juntos e sincronizados, pois se falarem de maneira desencontrada, o professor não tem como perceber quem está errando. Caso necessário, ele lê e dá a entrada como em música, 1,2,3 ...

 O professor deve incentivar todos os alunos a repetir alto e claro, sem engolir palavras ou fingir que falam. Falar de maneira errada ou certa, mas com segurança.  Se o aluno falar corretamente, porém com voz baixa ou insegurança, peça para repetir. 

O aluno deve repetir todas as vezes que o professor pedir, pois não se trata de um teste, é para fixar melhor e dar mais segurança. Depois de bem praticado em grupo o texto, o professor escolhe alguns alunos para representar o texto. 

Kanto – banano - amo 

tanto

 O aluno no inicio comete muitos erros, e não é produtivo apontar todos os erros cada vez que ele erra, pois  o aluno não teria como lidar com tanta informação.   O equilibrista do circo começa equilibrando apenas um prato, depois 2, 3 e assim por diante.

Melhor se professor anotar em uma ficha apenas os erros mais graves de cada aluno e concentrar atenção nesses erros.  Assim que o aluno superar esses erros mais graves, o professor pode começar a corrigir os outros erros menos graves.   Os alunos podem escrever no livro algumas dicas de pronúncia, como por exemplo, um acento circunflexo nas letras E e O para se lembrar de não pronunciá-las de maneira aberta. 

Pode acontecer de haver um aluno que já saiba bem a pronúncia comece a corrigir os outros.  O professor não deve permitir isso, mas pode pedir eventualmente que ele faça a leitura inicial. É uma maneira de ir acostumando alunos mais adiantados a ensinar também. 

Mal - el

mala sem alça

 O aluno deve estudar em casa ouvindo o CD do curso. Se possível gravar a própria voz e comparar com a voz do locutor.  Pode-se usar um pequeno gravador, ou o computador para gravar.  O curso do Carlos Pereira, tem um módulo de laboratório de pronúncia em cada lição.  O locutor lê algumas palavras, deixa um tempo para o aluno repetir, gravando, e depois repete a voz do locutor e a do aluno.  Gravar a própria voz é a melhor maneira de corrigir a pronúncia.

tiu - ĉiu
lernantino

dio - ĝi
dialogo

gatinho bonitinho di tardi

 O orgulho, ou a vergonha, de falar de modo errado na frente dos outros faz com que com o aluno evite falar.  É preciso explicar que todos são aprendizes, e que é  errando que se aprende.  Os alunos devem fazer de conta que são crianças que estão aprendendo. 

Para falar francês é preciso fazer biquinho. Por exemplo  une fleur.  Mas tem aluno que tem vergonha e se recusa a fazer biquinho.  Este aluno está falando errado e na França iria ser motivo de piada. Os franceses iriam apontar e dizer, "olha como ele fala engraçado".  

Em esperanto não é preciso fazer biquinho, mas tem alguns sons que são diferentes do que em português, e o aluno tem que ter a boa vontade de pronunciar do jeito certo e não do jeito que ele quer. 

sed -  sedii

spirito -
spegulo
sfero
skandalo

kvar - kvin - lingvo

scii - mi scias - mi ne scias

 

Sempre que estudar em casa, o aluno deve ler em voz alta, mexendo a boca, ouvindo o CD. Sempre estudar em voz alta. Nunca relaxe com a pronúncia, pois a pronúncia correta é a base da fala e da fluência.

 

 clique aqui para ver o texto em tela cheia

4. COMPREENSÃO AUDITIVA                                 ouça apenas o som (4ª parte) 

É fundamental que o aluno desenvolva a capacidade de entender o esperanto falado, apenas ouvindo, sem precisar ler.   O professor pode ler trechos do livro, e pedir que os alunos traduzam, porém estando com os livros fechados. 

O mesmo deve ser feito também com o CD que acompanha o livro, para treinar a compreensão auditiva com outras vozes além da voz do professor.  Alunos têm a tendência de conseguir entender a voz do professor, mas de não entender outros falantes.  Por isso é importante usar outras fontes sonoras, com outras vozes e outros sotaques. 

Para isso pode-se usar CDs de músicas, inicialmente acompanhando pela letra no encarte, de preferência cantando junto.  Depois tentando cantar sem a leitura do encarte.

No portal  http://www.musicexpress.com.br/Genero.asp?genero=36  existem diversas músicas em MP3.

 

  

Ouvir rádio em Esperanto é uma excelente maneira de praticar. Em http://www.radioarkivo.org   existem gravações de diversas rádios que transmitem em Esperanto.  

 

 

 

A www.radioverda.com  é excelente, pois usa um vocabulário mais informal. 

 

 

Alunos geralmente não escutam rádios porque não conseguem entender.  Mas também não conseguem entender porque não escutam rádio. 

 Para romper esse círculo vicioso, é importante que o aluno insista em ouvir rádio mesmo que não entenda. Não é preciso se esforçar para tentar entender, apenas escute. Deixe as palavras irem entrando sem compromisso. Com o passar do tempo, o aluno começará a entender muita coisa.

 Existem também muitos vídeos em Esperanto.  Recomendamos muito o uso em aula do vídeo-curso Pasporto al la Tuta mondo.   http://pt.lernu.net/kursoj/pasporto/index.php

 Existem muitos vídeos que podem ser comprados para usar em aula e outros gratuitos na internet. 

www.internacia.tv 

http://farbskatol.net 

http://www.vocale.org/mondo/videoj.htm

 

clique aqui para ver o texto em tela cheia

5. COMO ESTUDAR GRAMÁTICA  

Quando estudamos Geografia, Matemática, História, ou outra matéria, estudamos de maneira racional, objetiva e consciente.  É importante notar que a aula é o tempo inteiro na língua portuguesa

Já no ensino de línguas, o correto, é ensinar diretamente na língua que se está estudando, evitando ao máximo o uso do português. Se estamos estudando Esperanto, a aula deve ser a maior parte do tempo em Esperanto, desde a primeira aula.

 Como o aluno está acostumado a estudar outras matérias usando o português, ele geralmente cobra explicações em português.    Para o  professor é mais fácil ensinar, também usando o português, dando tradução do vocabulário, dando explicações gramaticais, tudo em português.  Então, tanto o aluno, quanto o professor, têm a tendência de usar mais o português durante a aula.  Isso é um erro grave e é a causa da falta de fluência do aluno. 

O aluno não deve escrever a tradução de palavras no livro. Se necessário escreva em um caderno separado.  Se ele não se lembrar da tradução de uma palavra, ele terá que forçar a memória, ou ter o esforço de procurar em outro lugar.  Já se a tradução estiver ao lado, não existe esforço e por isso não há memorização.

 Durante um tempo, eu dei aulas de alemão como reforço para  alunos do Curso de letras de PUC.  O objetivo da aula era reforçar a gramática e o vocabulário, pois era o que cairia nas provas.  Fiquei impressionado pois os alunos já sabiam grande  parte da gramática alemã e tinham um vocabulário bem rico, conheciam literatura germânica. Mas tinham uma pronúncia péssima e não falavam alemão.  Conheciam uma lista enorme de palavras, sabiam as regras gramaticais de cor, mas não falavam alemão.

 

Esse é um problema clássico no ensino de línguas, e não é culpa do aluno não. Ou o método está errado, ou o professor não sabe usar o método.

   

 

    Imagine que toda semana uma pessoa compre uma peça de bicicleta e guarde essa peça na garagem.  Toda semana ela guarda uma nova peça de bicicleta na garagem. Depois de um ano essa pessoa espera abrir a garagem, encontrar uma bicicleta pronta para passear. Mas na realidade a bicicleta não vai estar lá, tudo que vai estar na garagem será um amontoado de peças, sendo que algumas peças até se perderam no meio da bagunça.  

Da mesma forma, não é de grande utilidade decorar regras e palavras isoladas e armazenar esses "pedaços de língua" em algum lugar da memória.  Assim como as peças da bicicleta não vão se montar sozinhas, esses elementos de língua não vão se transformar magicamente em estruturas e frases prontas para serem utilizadas.

Ter um bom vocabulário e conhecer as regras gramaticais é apenas o início, mas  é preciso juntar tudo isso em estruturas lingüísticas.  

clique aqui para ver o texto em tela cheia

6. EXERCÍCIOS DE ESTRUTURA  

Esses exercícios tentam simular a maneira como aprendemos a nossa língua materna, quando éramos crianças. Uma criança diz:  

- "Mamãe, eu quero mamadeira" sem saber o que é sujeito, nem objeto direto, sem fazer analise sintática.

 Criança não estuda  gramática, nem decora lista de palavras.  Ela repete, fala o que ouve e USA tudo o que sabe.  Uma criança de 4 anos tem um vocabulário muito limitado, mas consegue se expressar muito bem.  Um aluno com 4 anos de estudo tradicional de idioma, possui um vocabulário bem mais sofisticado, porém não consegue se comunicar.  

Vamos ao exercício. O professor deve preparar antecipadamente perguntas que contenham o vocabulário e a gramática a serem exercitados.

Mande os alunos fecharem os livros.  Aluno sem livro geralmente entra em pânico, mas isso é necessário para exercitar a estrutura de conversa olho no olho.  

O professor começa com uma frase afirmativa:

- "Mi nomiĝas Emilio".  E faz a pergunta:

- Kiel vi nomiĝas ?  

O aluno deve sempre dar uma resposta completa e não responder simplesmente jes ou ne.

 

 

O professor repete a mesma pergunta para outros alunos, sempre ajudando os alunos a responderem, pois isso não é um teste.  Se a classe for grande, os alunos devem responder em conjunto.    

Depois o professor faz pequenas alterações na pergunta, mantendo a mesma estrutura.

- Mi nomiĝas Emilio

- Kiel { mi / vi / li / ŝi / ni / ili }  nomiĝas ?  

- Kiel vi nomiĝas ?  
- Kiel li nomiĝas ?  
- Kiel ŝi nomiĝas ?  
- Kiel ili  nomiĝas ?  
- Kiel mi  nomiĝas ?  

  Apontando para um aluno e pergunta à classe ou a outro aluno:

- Kiel li nomiĝas ?  

aponta para uma aluna e pergunta à classe ou a outro aluno:

- Kiel ŝi nomiĝas ?

É importante que as perguntas sofram apenas pequenas variações, mantendo e exercitando a mesma estrutura. Desta forma o exercício se torna muito fácil e qualquer aluno consegue repetir com fluência e naturalidade. Se um aluno não conseguir repetir corretamente, o professor deve ajudar, repetindo a afirmação, repetindo a pergunta e até mesmo "soprando" a resposta, pois o objetivo não é testar o aluno e sim exercitá-lo.

  Em toda aula deve-se praticar esse tipo de exercício durante 30 minutos, no final da aula.

- Mi nomiĝas Emilio

Ĉu { mi / vi / li / ŝi / ni / ili } nomiĝas { Johano / Maria } ?

 

Mi ne kantas.
Ĉu { mi / vi / li / ŝi / ni / ili } kantas ?  
Mi fartas bone.
Kiel { mi / vi / li / ŝi / ni / ili } fartas ?  
Mi kantas bone.
Kiel { mi / vi / li / ŝi / ni / ili } kantas ?  
Mi estas Emilio
Kiu { mi / vi / li / ŝi / ni / ili } estas ?  
Mi estas en Brazilo
Ĉu { mi / vi / li / ŝi / ni / ili } estas en { Brazilo / Francio } ?  
Mi deziras iri al Parizo.
Ĉu { mi / vi / li / ŝi / ni / ili } deziras iri al { Parizo / Irako } ?  

- Mi estas lernanto de la angla.

Ĉu { mi / vi / li / ŝi / ni / ili } estas { lernanto / lernantino }  de { Esperanto / angla }

Pode apontar para um aluno e perguntar:

Ĉu li estas lernantino de la angla ?  

Geralmente os alunos percebem o erro da pergunta e assim reforçam o aprendizado da regra gramatical da formação do feminino em Esperanto.     Em outros momentos o aluno deduzirá regras gramaticais através desses exercícios. Isso é a aplicação do ensino construtivista.

   

clique aqui para ver o texto em tela cheia

7. CONVERSAÇÃO                                          ouça apenas o som (7ª parte)

Na parte final de toda aula, depois de treinar a pronúncia, dar breves explicações gramaticais, introduzir novas palavras e fazer os exercícios de estrutura, podemos passar para a conversação.  

Como você aprendeu a andar de bicicleta ?   Imagine alguém que tenha 6 meses de aulas teóricas sobre bicicleta, aprendendo a função de cada peça, regras de trânsito, leis da física que  explicam o equilíbrio da bicicleta. Tudo isso sem pegar na bicicleta.   Será que depois de toda essa teoria a pessoa conseguirá pegar a bicicleta e sair andando ?  

Certamente não, pois o único jeito de aprender a andar de bicicleta é andando de bicicleta e até levando alguns tombos.

  Da mesma forma, a única maneira de aprender a falar, é falando.   O professor deve iniciar a conversação fazendo algumas perguntas simples, porém sem a necessidade de repetir as mesmas estruturas e pedindo que os alunos também façam perguntas entre si.  

Nessa hora da conversação livre, o aluno deve estar livre para cometer alguns erros e o professor não deve corrigir erros de pronúncia, nem de gramática. O professor somente deve intervir se o aluno disser algo incompreensível. 

  O professor deve participar da conversa, fazendo perguntas, ou contando casos, para evitar que se faça o silêncio. Mas o professor deve ter o cuidado de falar usando apenas palavras conhecidas e falar bem devagar, exatamente da maneira que os alunos falam.    Se o professor falar de maneira totalmente fluente, o aluno pode ficar desanimado, por acreditar que jamais atingirá esse nível.

   

 

Alunos geralmente acreditam que não conseguem falar fluentemente porque têm vocabulário pequeno. Mas isso não é verdade, pois quase sempre têm vocabulário suficiente, somente não conseguem utilizá-lo rapidamente por falta de treino.

 

Imaginem que em nosso cérebro existem gavetas e pastas. Toda palavra nova ou regra gramatical que aprendemos, nós guardamos em uma determinada pasta e dentro de uma gaveta.  Às vezes precisamos de uma palavra que nós não lembramos.  Temos a certeza de  que já a aprendemos, mas não lembramos em qual  pasta e em qual  gaveta nós a guardamos. 

  Com o passar do tempo, algumas gavetas podem ficar enferrujadas e emperradas devido ao pouco uso e isso torna a lembrança ainda mais difícil.   Então quando você finalmente se lembrar da tal palavra, o pessoal já está conversando sobre outro assunto.  Quanto mais palavras você decorar, mais demorada será a procura em  "gavetas e pastas".  

Jogo da memória

Se você jogar o jogo da memória com 30 peças vai ser difícil e lento, mas se jogar com apenas 6 peças será bem mais fácil.   No princípio é melhor ter um vocabulário menor para ter um acesso mais fluente à memória.   Primeiramente precisamos conseguir ter rapidez de acesso ao vocabulário já conhecido e depois ir aumentando gradativamente o vocabulário, mas sempre com exercícios para não perder a fluência.

No inicio, quanto mais palavras você tentar decorar, menos fluência você terá. Eu sugiro sempre para os iniciantes, saber apenas o básico do básico, mas saber bem sabido, na ponta da língua. Adquira primeiramente a fluência, mesmo com vocabulário limitado, e somente depois vá ampliar seu vocabulário.  

 

Geralmente o aluno pergunta algumas palavras que gostaria de saber, mas dificilmente o mesmo aluno consegue responder perguntas da primeira lição.   Basta perguntar ao aluno como se fala "onde" ou "quando", para ele se enrolar. Tem aluno que pergunta como falar "progresso" mas não sabe responder se eu pergunto como se diz "ele" ou "ela" em esperanto !!! Fica pensando, fazendo contas na cabeça, análise sintática antes de responder, ou de alguém soprar <Li> <Ŝi>

  A fluência tem que existir desde a primeira lição. Não espere para conquistá-la depois. É um engano achar que com mais palavras você terá mais facilidade em conversar. Você pode até saber muitas palavras, pode usá-las para escrever, mas não conseguirá acessá-las rapidamente para conversar.  

Porém com vocabulário limitado não se pode esperar uma conversação muito rica e variada.  Mas no início, o tema da conversa não é de grande importância,  o importante é falar. Se não conseguimos falar ou responder sobre um determinado assunto, podemos mudar de assunto, ou até mentir.  Se por exemplo queremos falar de uma coisa que detestamos, porém não sabendo como falar "eu detesto",  minta e fale "eu adoro".  Vale mudar de assunto, vale mentir, só não vale falar em português.

Durante uma conversa mais empolgada, um aluno pode ficar muito ansioso por não conseguir expressar sua idéia e pede para o professor para falar rapidamente em português.   O professor não deve permitir essa fala rapidinha em português, pois em 1 minuto esse aluno falaria em português o que não conseguiria falar em meia hora em esperanto.   Na verdade essa ansiedade é  positiva, como se o aluno fosse uma panela de pressão, e essa pressão pode prover a energia necessária  para destravar estruturas lingüísticas emperradas na memória do aluno.

   

 

A tradução é um grande empecilho na hora da conversação. Não se deve traduzir, nem pedir palavras ao professor durante a conversação. O aluno deve tentar se expressar apenas com as palavras que conhece. 

O grande objetivo da conversação é fazer com que o aluno aprenda a contornar obstáculos, aprender a expressar uma idéia usando apenas aquilo que já sabe.   Se não sabe como dizer "tubarão", diga "peixe grande que come pessoas", se não sabe dizer  "peixe" diga "animal que vive na água", se não sabe dizer "animal", diga "coisa".  

Não importa se a conversa ficar parecida como "fala de índio" que diz:  "aquela coisa que serve para coisar a outra coisa".  O importante é falar, destravar a fala, desinibir.  Depois disso fica fácil aumentar o vocabulário.

  Existem 2 memórias distintas:

- A primeira, do Esperanto para o Português, é de acesso rápido;  

- a segunda, do português para o Esperanto, é muito mais lenta.

  Tanto que existem 2 tipos de tradutores de Esperanto na Associação Esperantista  de tradutores.:

- categoria A - que traduz da língua nacional para Esperanto;

- categoria B - traduz do Esperanto para língua nacional. (muito mais fácil)

Isso acontece porque as palavras do português você usa toda hora e as localiza fácil e rapidamente. Elas trafegam por uma larga auto-estrada.

 

Já as palavras em Esperanto, apesar de você saber, elas estão escondidas em algum canto perdido de sua cabeça. E leva muito tempo para localizá-las.  Elas percorrem uma estreita trilha que é pouco utilizada. Quando você acha a palavra que estava procurando, o pessoal já está falando de outro assunto.

  Porém quanto mais o aluno praticar os exercícios de estrutura e a conversação, mais ele estará percorrendo o caminho, que aos poucos vai se alargando, e a comunicação vai ficando cada vez mais rápida e eficiente.

clique aqui para ver o texto em tela cheia

8. INTEGRAÇÃO DE ALUNOS  

 

 

O professor deve se esforçar sempre para promover a integração entre diferentes turmas de alunos, organizando encontros periódicos destas turmas em um dia especial. 

  Nesses encontros, seria interessante que alguns alunos mais adiantados preparassem uma pequena apresentação, como uma declamação ou leitura, ou, quem sabe até, uma pequena encenação teatral. 

  Se houver condições, pode-se marcar um evento em local com acesso à internet, para participar de um bate-papo com esperantistas de outros paises.  

http://www.babilejo.org/ 

http://gxangalo.com/babilejo 

 

 

Bate-papo de voz.

http://babilejo.cjb.net/   (paltalk)

http://www.tejo.org/uea/Skajpo_Instalado   (skype)

  Isso reforça em todos a idéia de que existe mais gente no movimento.  

Seria interessante que em toda aula o professor reservasse 5 minutos para repassar informações gerais sobre o Esperanto e também notícias do mundo esperantista.  Procure informações nas páginas:

www.raporto.info/brazilo  portal de Notícias em português sobre o Esperanto

Liga Brasileira de Esperanto        Juventude Esperantista         www.ileibr.org        Lista Eki       Lista Esperanto BR

 

clique aqui para ver o texto em tela cheia

9. NOVAS TURMAS  

 Durante as aulas, o professor pode pedir eventualmente aos alunos mais aplicados que façam uma leitura ou expliquem algo de gramática.  

Com isso, sem perceber eles vão se transformando em auxiliares ou monitores.  Após o término do curso básico e intermediário, esses alunos podem se tornar professores em novos cursos.  

É importante que o professor mais antigo incentive a criação de novas turmas, com novos professores. Se os novos professores ainda estiverem inseguros, o professor antigo deve ajudar indo às aulas, porém sem falar nada. Qualquer comentário ou crítica ao método deve ser feito depois da aula, para não prejudicar a autoridade do novo professor diante de seus alunos.

 

 

Emilio Cid 



1973 - iniciou estudo de Esperanto. 

1978 - começou a lecionar alemão na Associação Cultural Brasil- Alemanha. Ensinou alemão e inglês durante 11 anos.

1981 - participou do Congresso Mundial de Esperanto em Brasília. Começou a ensinar Esperanto no Instituto de Física da Unicamp. 

É fluente em Esperanto, inglês, francês, espanhol e alemão.



emilio.cid*uol.com.br                tel. (13) 3467-4702

detalhes em: 

         www.uea.org/vikio/Emilio_Cid

www.fluencia.uni.cc


dezembro de 2006